Quando Will Smith deu um tapa na cara de Chris Rock, após o comediante, que apresentava o prêmio de melhor documentário, fazer uma piada sobre a cabeça raspada de sua esposa, Jada Pinkett Smith, seu ato gerou pautas para todos os meios de comunicação on e offlines globais e em conversas nos mais variados ambientes sociais e de negócios. Leia!
Todas as discussões e argumentos apresentados nos mais variados contextos de fala se pautaram por diversas visões e posicionamentos. Alguns destes em redes sociais respaldaram nas questões das normas jurídicas. Dentre estes aquele que me causou maior atenção foi o que ressoou na discussão em relação à honra, calúnia e difamação – crime previsto no código penal brasileiro (artigo 138: calúnia (art. 138), difamação (art. 139) e injúria (art. 140).
Ufa! Se houvesse ocorrido no Brasil, Will poderia faturar um bom dinheiro –em reais, logicamente! Mas, a questão é muito mais complexa e de enorme risco para toda e qualquer pessoa ou organização em tempos de ESG, economia comportamental, da experiência e de vida tecno informacional global e virtualizada.
Inserindo o ato no ambiente jurídico brasileiro, considerando o delito contra a honra, segundo juristas e advogados especializados, é considerado de menor potencial ofensivo pois em regra geral, a ação penal é privada, sendo de exclusiva iniciativa da vítima (personalíssima, no caso, Will Smith) que se procede mediante “queixa-crime”, no Juizado Especial Criminal.
Assim, sob esse prisma o agente do delito (Chris Rock) em sua narrativa não pecou contra a honra de Will, mas difamou Jada, que não reagiu, ao contrário, em sua manifestação posterior ao ato, afirmou: “…esse é um tempo de cura, e estou aqui para isso; é um tempo em que a humanidade necessita de cura!”
Diante disso podemos nos adentrar para outra vertente dos atos daquele locus entre Smith e de Rock: Rock injuriou Jada, que não reagiu e proferiu discurso de conciliação e paz. Rock foi imoral, proferiu piada de mau gosto (mas piada e discursos engraçadinhos fazem parte da lógica dos apresentadores do Oscar) e foi inconveniente.
Nos voltemos então a Smith e seu ato agressivo e podemos indagar: se a mensagem inconveniente não foi dirigida a ele, como podemos analisar seu ato? Por que ele teve aquela atitude? Respostas podem ser as mais variadas possíveis, respaldando até mesmo em aspectos como o machismo, a vaidade, o poder e em todos o componente das paixões humanas – os vícios e as virtudes.
Se formos pela perspectiva do machismo, temos o componente do ator macho, cuja concepção está associada à uma masculinidade exacerbada; que implica na sensação de superioridade sob o feminino pautada unicamente no seu sexo e reafirmada através dos “deveres” para com a família.
Se assumirmos essa perspectiva, adentramos à perspectiva de que atitudes machistas envolverem várias caracterizações. Dentre elas, o pensamento presente no cotidiano da sociedade, por parte de homens e mulheres, baseada na crença de que mulher “tem que se dar o respeito” ou “a mulher tem que ser ou precisa ser protegida pelo homem”.
Vale ainda expormos outra perspectiva antes de iniciarmos a lógica entre os atos, atitudes e o fluxo reputacional.
Continuemos centrados no agente da agressão. A agressividade embute uma tendência a atacar, à provocação e os dicionários de nossa língua pátrea preconizam: “[…] o comportamento agressivo pode ser iniciado quando a pessoa que o manifesta sente-se injustiçada, desmerecida, humilhada, inferiorizada e não pode perceber outras formas de administrar o descontentamento. Cabe uma citação do site da CVV que lida com esses comportamentos que levam ao limite, redundando em depressão aguda e suicídio:
“[…] a agressividade é um comportamento emocional que faz parte da afetividade das pessoas. A maneira de reagir frente a ela é que varia muito de indivíduo para indivíduo. Como um mecanismo de defesa presente no âmago de todos os seres humanos, mesmo naqueles que consideramos mais evoluídos, procuramos, muitas vezes, reprimi-la, ignorando-a, como se o fato de não falar a respeito fizesse com que desaparecesse. Na maioria das vezes, evitamos até admitir a sua existência dentro de nós, porque a tememos.
Sob esse prisma temos o dolo sofrido pela outra parte: Chris Rock, em um ambiente que naquele momento tinha uma audiência global da ordem de 15,3 milhões de pessoas, em realtime, enquanto tradicionalmente, segundo a Nielsen, ela estava em não mais de 13,7 milhões de espectadores. O tapa elevou a audiência do evento e expôs globalmente e, principalmente, ao mercado, a humanidade de Will.
Podemos traçar um grande questionamento e jogar ao ar a busca por uma resposta: quem foi o humilhado; quem sofreu o dolo? Will Smith, sua esposa, Jada Pinket Smith ou Chris Rock?
Porém, não é essa a proposta do artigo, mas apenas aproveitar a oportunidade e propiciar ao leitor a reflexão acerca das consequências dos atos e falas e das atitudes, tão alinhadas com as experiências, conceitos e paradigmas apreendidos ao longo de uma vida. E de quanto é imprescindível refletirmos acerca de tudo aquilo que aprendemos e nos ensinaram. Vivemos, como afirmou a sábia esposa de Will Smith, em tempos de cura, de reflexão e de reaprendizado.
O contexto da análise exige ser ampliado para alinharmos os pilares constitutivos deste artigo. Leia o complemento do artigo e suas conclusões e dicas no site d a plataforma T.Academia em T.Academia – Artigos (tacademia.com.br).
